O delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-BA) em Santo Antônio de Jesus, Fábio Braga, concedeu entrevista à imprensa para esclarecer como funcionava o esquema criminoso de um estelionatário que se passava por juiz para aplicar golpes em corretores de imóveis e moradores de diversas cidades baianas. Segundo ele, o caso mobilizou o Creci e já está sendo investigado pela Polícia Civil.
De acordo com o delegado, o criminoso utilizava uma identidade falsa e chegou a usar a fotografia de um ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), já falecido, para dar credibilidade à fraude. Os golpes foram registrados em Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Valença e Sapeaçu, além de municípios vinculados a outras delegacias regionais do Creci, como Eunápolis, Teixeira de Freitas e uma cidade próxima a Bom Jesus da Lapa.
Como funcionava o golpe
Segundo Fábio Braga, o estelionatário iniciava contato com corretores de imóveis por meio de aplicativos de mensagens, afirmando que havia sido designado para atuar como juiz na comarca da cidade e que precisava alugar uma residência.
Durante vários dias, ele conversava normalmente com os profissionais, analisava fotos de imóveis, negociava valores e até marcava uma suposta visita, criando uma relação de confiança.
Depois dessa etapa, o criminoso dizia que precisava contratar um motorista ou auxiliar para ajudá-lo durante sua instalação na cidade. Os corretores, acreditando estar atendendo um cliente legítimo, indicavam conhecidos de boa-fé.
“O corretor também foi vítima. Ele apenas indicou uma pessoa acreditando que estava ajudando um futuro magistrado”, ressaltou o delegado.
A falsa contratação
Após conseguir o contato da pessoa indicada, o golpista oferecia uma falsa oportunidade de trabalho com diária de R$ 500, informando que o contratado faria serviços como motorista, entrega de documentos e apoio administrativo, enquanto o combustível seria custeado pelo Tribunal de Justiça.
Em seguida, solicitava uma foto do veículo da vítima e afirmava que faria o pagamento antecipado de cinco diárias.
Pouco tempo depois, enviava um comprovante falso de TED, alegando que sua secretária havia cometido um erro e transferido o valor referente a dez diárias.
Aproveitando o fato de que transferências por TED poderiam demorar para serem compensadas, o criminoso pedia que a vítima devolvesse imediatamente metade do dinheiro para evitar problemas com o Tribunal de Justiça.
Acreditando que o valor seria creditado posteriormente, diversas vítimas realizaram as transferências e só perceberam o golpe depois.
Prejuízos chegam a R$ 42 mil
Segundo Fábio Braga, os prejuízos registrados variam entre R$ 400 e R$ 42 mil. Em um dos casos mais graves, além de convencer a vítima a fazer transferências bancárias, o criminoso ainda pediu que fossem comprados diversos produtos, como água de coco, caixas de suco e gelo.
Após a compra, alegou que havia saído do fórum e pediu que os produtos fossem guardados até o dia seguinte. Foi nesse momento que a vítima começou a desconfiar.
Ao entrar novamente em contato, ouviu do estelionatário que o TED ainda seria compensado. Quando afirmou acreditar que havia caído em um golpe, teve o telefone imediatamente bloqueado.
Mais de 10 vítimas
O delegado informou que ainda não há um número definitivo de vítimas, mas estima que mais de dez pessoas tenham sido prejudicadas nas cidades onde o golpe foi aplicado.
Até o momento, também não foi possível identificar quem está por trás do esquema, já que o criminoso utilizava números telefônicos e imagens falsas para ocultar sua identidade.
A Polícia Civil segue investigando o caso e, por isso, não divulgou detalhes sobre o andamento das apurações.
Orientações para evitar novos golpes
Durante a entrevista, Fábio Braga destacou que esse tipo de crime pode atingir qualquer profissão e orientou a população a redobrar os cuidados antes de realizar negociações ou efetuar pagamentos.
Entre as recomendações estão confirmar a identidade da pessoa por meio de videochamadas, solicitar documentos, pesquisar informações na internet e desconfiar de pedidos de dinheiro ou transferências urgentes.
O delegado também fez um alerta específico aos corretores de imóveis, orientando que evitem mostrar imóveis sozinhos para pessoas desconhecidas, principalmente durante a noite. Segundo ele, o ideal é que as visitas sejam realizadas sempre com acompanhamento de outro profissional ou de uma pessoa de confiança.
“O acesso à informação está cada vez mais fácil. Antes de fechar qualquer negócio, pesquise, confirme os dados e nunca faça transferências sem ter certeza de que está lidando com a pessoa correta”, alertou.
Por fim, o Creci Bahia reforçou solidariedade aos corretores e demais vítimas atingidas pelo golpe e orientou que qualquer tentativa semelhante seja comunicada imediatamente à Polícia Civil para auxiliar nas investigações.










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