A Santa Casa de Misericórdia de Santo Antônio de Jesus celebrou 108 anos de história reafirmando seu compromisso com a saúde da população e com a ampliação dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a programação comemorativa, a superintendente da instituição, Ludmila Reis, destacou a trajetória centenária, o trabalho dos mais de 700 colaboradores e os investimentos realizados para fortalecer o atendimento à população.
Em seu discurso, Ludmila ressaltou que a Santa Casa não deve ser vista apenas como um hospital, mas como uma instituição construída ao longo de gerações com a missão de acolher e cuidar de pessoas.
Segundo a superintendente, o principal compromisso dos profissionais que atuam na instituição deve ser com o paciente, e não com reconhecimento ou exposição. Para ela, o verdadeiro resultado do trabalho é fazer com que cada pessoa atendida deixe a unidade com a sensação de ter sido acolhida com respeito, amor e dedicação.
“Não é o nosso melhor para estar aparecendo em holofotes. É o nosso melhor para o paciente, para quem precisa”, afirmou.
Ludmila também destacou sua trajetória de 13 anos à frente da instituição e afirmou se sentir privilegiada por poder exercer, por meio do trabalho, um propósito de servir ao próximo.
Para a superintendente, os 108 anos da Santa Casa representam uma história de dedicação à população e também de superação. Ela comparou a instituição a uma fênix, destacando a capacidade de se reconstruir diante das dificuldades e continuar avançando com o apoio dos colaboradores e da população.
Ampliação dos serviços
Durante a fala, Ludmila destacou que a Santa Casa passou por um processo de ampliação e diversificação dos serviços oferecidos. Segundo ela, a instituição atualmente possui mais de 200 leitos e atende pacientes de diferentes municípios da região.
A superintendente ressaltou ainda o fortalecimento da assistência oncológica e a realização de cirurgias eletivas, reduzindo significativamente o tempo de espera dos pacientes.
“Hoje o paciente não espera nem dois meses para fazer uma cirurgia. Tem paciente que uma semana pede a cirurgia e, com 15, 20 dias, está fazendo”, explicou.
Outro destaque foi a implantação de um novo centro cirúrgico, que deverá ser inaugurado nos próximos meses. De acordo com Ludmila, os novos equipamentos foram adquiridos com o objetivo de ampliar a capacidade de atendimento e contribuir para a redução da fila de cirurgias.
A estrutura contará com um parque tecnológico moderno, incluindo equipamentos adquiridos durante a Feira Hospitalar, com investimento estimado em cerca de R$ 1,3 milhão apenas nessa parte tecnológica.
Projeto de verticalização
Ludmila também atualizou informações sobre o projeto de verticalização da Santa Casa. Segundo ela, o projeto está pronto e prevê a construção de uma nova estrutura no espaço atualmente utilizado como estacionamento, com investimento estimado em R$ 47 milhões.
A proposta envolve uma estrutura vertical completa, incluindo áreas técnicas e equipamentos necessários para o funcionamento de novos serviços hospitalares.
A superintendente explicou ainda que a implantação de uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI Neonatal) exige uma estrutura ampla e adequada às normas técnicas, não sendo suficiente apenas disponibilizar leitos e incubadoras.
Segundo Ludmila, o projeto precisa contemplar espaços como banco de leite, lactário, áreas de apoio, setores médicos e de enfermagem, além de toda a infraestrutura necessária para garantir o funcionamento seguro e adequado da unidade.
Apesar de defender a implantação da estrutura neonatal, a superintendente afirmou que, neste momento, o investimento necessário para a verticalização ainda representa um grande desafio para a instituição.
Humanização e diálogo
Outro ponto enfatizado por Ludmila foi a necessidade de fortalecer a comunicação e a humanização dentro da Santa Casa. Ela citou, como exemplo, o diálogo mantido com um grupo de mães para identificar pontos que poderiam ser aprimorados no atendimento.
A iniciativa, segundo ela, demonstra a importância de ouvir quem utiliza os serviços da instituição e compreender a percepção da população.
“Às vezes, a visão não é de dentro para fora, é de fora para dentro”, destacou.
Para Ludmila, o processo de melhoria deve acontecer com diálogo, humildade e sem julgamentos. A proposta é identificar dificuldades, ouvir pacientes e familiares e buscar soluções que possam aprimorar continuamente o atendimento.
Ao completar 108 anos, a Santa Casa de Misericórdia de Santo Antônio de Jesus busca, assim, conciliar sua tradição com novos investimentos, expansão dos serviços e modernização da estrutura, mantendo como principal objetivo o cuidado com os pacientes e o fortalecimento da assistência à população do SUS na região.
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